ARTIGOS LEGIONÁRIOS

Carta 2010 aos conselhos do Brasil

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ANATOMIA DE UMA CAUSA  *

O Servo de Deus Frank Duff (1889-1980)

                                                                                     pelo Padre Eamonn McCarthy

 Seguramente a pergunta mais freqüente que nos fazem com relação à Causa de Frank Duff é quando acreditamos que será beatificado. Boa pergunta. Depois de tudo, já não fazem 25 anos de sua morte, e não é hora de ver alguns avanços neste assunto? Naturalmente é impossível prever resultados neste tema porque existem muitos imponderáveis, e não é o menos importante a Vontade de Deus! É bom recordar que Edel Quinn morreu em 1944 e passaram quase 50 anos antes que fosse declarada Venerável pela Igreja e segue-se trabalhando na promoção de sua causa de beatificação.

 No referente à Causa de Frank Duff podemos dar um informe sobre os progressos levados a efeito até agora no trabalho que se empreende e permitir ao leitor dar uma olhada sobre a tarefa que temos em mãos.

 Sob o impulso do anterior Diretor Espiritual da Legião de Maria, Padre Joseph Moran, OP, uma equipe de voluntários, todos legionários, começaram a reunir-se uma vez por semana para pôr em ordem os papéis. Logo deram-se conta de que isto não era uma tarefa pequena.

Decidiu-se que a casa de Frank Duff devia ser posta em ordem e restaurado seu antigo aspecto de forma que os visitantes pudessem experimentar o mesmo ambiente que se respirava nos seus tempos. Pôs-se grande cuidado em que os móveis e demais ornamentos se colocassem em seus lugares originais.

Alguns legionários tomaram o cuidado de catalogar a biblioteca completa de Frank Duff composta de uns 1.750 volumes. Estes estão agora expostos em amplas estantes e neles vemos seu gosto pela leitura espiritual, especialmente seu amor pelos livros, tanto em inglês como em francês, referentes a Nossa Senhora. Também são curiosas suas leituras mais ligeiras – as novelas policiais e as histórias de detetive -, todas elas emprestadas a seus amigos e com as iniciais na capa posterior daqueles que as haviam lido.

Era bem sabido que Frank Duff tinha um grande volume de escritos, mas poucos imaginavam quanto era extenso. A primeira equipe se impôs a tarefa de reunir e fazer uma lista de todos os escritos publicados  e sem publicar que conseguissem. Não era tarefa simples já que vários de seus trabalhos apareciam em números de diferentes periódicos e às vezes se encontravam duplicados entre as cinco coleções definitivas de seus artigos em seus livros.

Os escritos sem publicar são ao redor de 2.000 manuscritos de palestras e allocutio que Frank Duff tinha arquivado. Estes foram recolhidos na coleção de escritos existentes e catalogados e listados para posteriores referências.

Em meados dos anos 80 começou um trabalho similar com todo o material disponível de áudio que houve que recolher e passar dos originais rolos de fita de som de 135 a áudio cassetes. Estas gravações, palestras dadas por Frank Duff e entrevistas com ele, foram logo transferidas a arquivos de texto de computador para poder preservar melhor a palavra falada.

Vários milhares de cartas dirigidas a Frank Duff, mas arquivadas em separado por ele em sua casa, não no arquivo da Legião como era costume, constituíram outra fonte de material que se tinha de ordenar e arquivar. Estas cartas datadas ao longo de toda sua vida, vão desde o ano de 1919 até 1980. A maioria delas são pessoais, não relacionadas diretamente com as atividades da Legião.

Talvez uma das tarefas mais importantes começadas antes da introdução da Causa de Frank Duff foi o acesso ao arquivo da Legião com o fim de extrair todas as cartas autorizadas por ele.

O arquivamento cronológico das aproximadamente 30.000 cartas que escreveu começou em princípios dos anos 90 e levou uns 10 anos de trabalho semanal em tempo parcial até chegar à finalização. No arquivo da Legião há vários milhares de pastas cheias da correspondência mantida durante muitos anos com os Conselhos da Legião em todo o mundo.

O resultado desta árdua tarefa ocupa com orgulho as estantes do escritório da Causa em 212 pastas de argolas.

Fez-se também o esforço para reunir todas as fotografias e slides feitos por ele ou dele. Também destes há milhares.

Material biográfico, livros e folhetos, recortes de periódicos e artigos foram também recolhidos e fizeram-se várias entrevistas de áudio não oficiais com pessoas de idade avançada cujas recordações se consideraram de importância.

Até aqui tudo bem. Quando se nomeou o Revm.º Padre Bede McGregor, OP, como vice-postulador da Causa de Frank Duff em junho de 1996, os trabalhos da causa tomaram um novo impulso. Foram nomeados como juízes e notários: o tribunal investigador oficial e uma equipe de religiosos e leigos experientes. Fizeram-se entrevistas formais sob juramento, cujos relaatos foram transcritos, atestados e assinados. Estes testemunhos constituem uma fonte primordial nas provas que devem chegar ao Arcebispo de Dublin sobre a vida de heróicas virtudes vivida por nosso Fundador.

Em setembro de 2003, a este que está escrevendo, por amável concessão de seu Bispo, Revm.º John Magee, foi concedida permissão para deixar suas obrigações em sua diocese nativa de Cloyne, Irlanda, para trabalhar em tempo integral na Causa de Frank Duff. Durante períodos de férias ele, com a ajuda de alguns legionários da diocese de Arlington, USA, estiveram colocando no computador todos os escritos publicados de Frank Duff.

Desde o primeiro momento compreendeu-se a importância do conteúdo das cartas cotejadas de Frank Duff. Considerou-se vital que toda esta informação fosse conservada em disco para melhor acessibilidade e investigação. Uma equipe de digitadores voluntários, que agora excedem os 330 de todas as partes do mundo, estão envolvidos neste projeto durante os últimos 18 meses. No momento em que estou escrevendo 25.000 cartas foram já transferidas a disco que nos proporcionam acesso ao pensamento de Frank Duff sobre muitos temas de importância.

Uma vez perguntaram a Frank Duff porque nunca escreveu sua biografia. Ele respondeu que não tinha tempo. A realidade é que suas cartas, enviadas a milhares, são a sua verdadeira biografia. Ele enviou até 500 cartas a cada um dos Enviados da Legião, entre os quais se encontram Afonso Lambe e Edel Quinn, quando estavam de serviço no exterior.

Por cortesia dos legionários de Filadélfia, USA, especialmente Monsenhor Charles Moss, uma série de entrevistas com Frank Duff, tomadas em vídeo em 1979, foram agora transferidas em formato de vídeo digital e discos de áudio e se corrigiram a provas de suas correspondentes transcrições.

Para não cansar o leitor com tantos detalhes será suficiente fazer uma lista de outras atividades que também se desenvolveram:

  • Todas as fotos e slides estão sendo escaneados em formato digital.
  • Os manuscritos não publicados estão sendo digitados.
  • As entrevistas informais em vídeo com muitos que conheceram Frank Duff estão sendo apresentadas.
  • Recortes de periódicos e artigos recolhidos ao longo de décadas estão sendo cotejados.
  • Milhares de cartas enviadas a Frank Duff estão sendo analisadas.

 Faz-se um segundo rastreamento no arquivo da Legião. O que agora chamamos “Dia de Mãos à Obra” tem sido organizado durante um certo número de sábados, começando com a celebração da Eucaristia. Uma média de uns 60 legionários assiste e examina os arquivos em busca de algum material valioso relacionado com a Causa.

 Todas as linhas aqui descritas serão consideradas pelo Vice-Postulador para apresentá-las ao Arcebispo de Dublin, Revm.º Diarmuid Martin.

 * Extraído de MARIA LEGIONIS, n.º 4/2005, edição em espanhol no Site                 www.legiondemaria.org

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A LEGIÃO É PRINCIPALMENTE PRAESIDIUM

By Regia Brasília

A base do sistema da Legião é o Praesidium. Todos, Ativos e Auxiliares, a ele estão vinculados. Constitui a unidade orgânica e nossas principais funções aí se realizam; enfim, “é a reunião que faz a Legião.” Na terminologia herdada da Legião Romana, Praesidium significa um setor da linha de batalha, uma praça forte, uma guarnição.

A reunião do Praesidium é a indiscutível primeira obrigação do Ativo. Dom Mário T. Gurgel no seu O tripé do Sistema Legionário realçou definitivamente a importância e o enlace da oração, reunião e trabalho. Destes três, um é o local: a reunião. O Praesidium “...é o coração da Legião...” e “um dos fins essenciais da reunião é a oração semanal em comum...” e aí marca-se o trabalho aos pares.

A Legião de Maria nasceu como grupo (mais tarde chamado Praesidium). No primeiro ano, surgiram os quatro primeiros: Nossa Senhora da Misericórdia, Imaculada Conceição, Nossa Senhora do Sagrado Coração e Nossa Senhora Refúgio dos Pecadores. A Venerável Edel Quinn foi a segunda presidente deste 4º Praesidium.

A Legião é principalmente Praesidium e isto se mostra já na origem. Mas a associação não ficou só nos grupos. Em 1925, para nos definir os Oficiais reuniam-se em um primeiro Conselho e chegaram ao nome: “Legião de Maria!” A história relata que viemos a ser uma associação pois os Praesidia, através de seus Oficiais, articularam-se num Conselho. São o coração e cérebro dos Praesidia e verdadeiras escolas de Oficiais. Asseguram identidade, coordenação, união, desenvolvimento. Mas, note-se, os próprios Conselhos possuem reunião, tanto quanto possível, no formato Praesidium.

O mundo que tanto valoriza as dinâmicas de grupo não têm nada, nem de longe, que se compare ao Praesidium. Em breve descrição: reunião semanal, de no máximo hora e meia, a contar da hora marcada, onde transcorrem 17 itens de uma agenda, com três momentos de oração, que inclui o terço. Leitura Espiritual. Ata e respectiva aprovação. Recebe relatórios dos trabalhos dos membros e discute tais trabalhos. Determinam-se novos trabalhos. Estuda-se o Manual, previamente preparado em casa, de um ponto marcado. Coleta secreta, relatório da Tesouraria, boas-vindas aos visitantes, chamada. Ao meio da reunião, Catena e Allocutio, de mais ou menos cinco minutos. Mescla-se oração, relatórios, estudos, administração. Em geral presença de dez Ativos, tendo diretoria de 5 Oficiais, aí incluído o Diretor Espiritual. Por impossível que pareça, ordem, eficiência e perseverança.

“...Caracteriza  a reunião do Praesidium: riqueza de oração, cerimonial próprio, ambiente  particular, relatórios semanais dos trabalhos realizados, santa camaradagem, força da  disciplina, vivo interesse e até a ordem e a limpeza”, descreve o Manual na página 123. O texto que melhor mostra toda a amplitude do Praesidium é aquele da página 71. Realça os vários aspectos. Vale citar um muito significativo de o Praesidium ser “o grande exercício de comunidade, onde o Salvador, segundo Sua promessa, assiste invisível...”

A Legião apóia-se no tripé: oração, reunião, trabalho. Daí que quase não há página do Manual que, direta ou indiretamente, não se refira ao Praesidium. Há, no entanto, capítulos mais centrados no Praesidium. Ei-los numa ordem para facilitar o entendimento.

Cap. 1 – Nome e origem, página 9

Cap. 21 – Místico lar de Nazaré, página 126

Cap. 14 – O Praesidium, página 83

Cap. 18 – Ordem a observar na reunião do Praesidium, página 104

Cap. 33 – Principais deveres legionários, página 188

Cap. 34 – Deveres dos oficiais do Praesidium, página 207

Cap. 19 – A reunião e o membro, página 115

Cap. 36 – Praesidia que exigem tratamento especial, página 219

Cap. 31 – Expansão e recrutamento, página 177

Há, ainda, os dois pequenos itens no Plano da Legião, significativos e culminantes:

A obrigação principal, página 69 e A reunião semanal do Praesidium, página 71.

De todos os aspectos do Praesidium um fundamental é o encontro com Nossa Senhora. Como na primeira reunião onde “antes mesmo de os legionários se reunirem, ela, a Rainha, já aguardava, de pé, aqueles que certamente atenderiam ao seu chamado. Não foram eles que a adotaram: foi ela que os adotou.” Sim, em todo e qualquer Praesidium estaremos “com tanta dignidade e respeito, como se a Virgem Maria ...estivesse visivelmente presente no lugar da imagem.” A partir daí marchamos; somos sua Legião.

O capítulo Místico Lar de Nazaré nos chama a nos familiarizar segundo o modelo da Sagrada Família. “O Praesidium pode considerar-se como uma projeção do Lar de Nazaré, não apenas por um simples sentimento de devoção, mas com base na realidade.” Rico filão para desenvolver uma espiritualidade.

Nas orações finais rezamos: “À Vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus...” Em latim: Sub tuum praesidium... Não é uma maravilhosa coincidência? Na versão latina desta mais antiga oração à Virgem escolheu-se praesidium (= proteção, cuidado) onde figurava, no original, misericórdia. Então, hoje, os legionários, podem entender e rezar mais ou menos assim: Ao Vosso Praesidium recorremos, Santa Mãe de Deus... Sim, Praesidium é o lar no qual Nossa Senhora nos abriga, nos forma para o seu Reino, nos envia à batalha.        

Haveremos de tudo pedir, de tudo fazer, com zelo entusiasta e perseverante, para que nosso Praesidium evolua na graça, santifique de fato. O tempo é hoje, o tempo é agora, mas o lugar, o Praesidium. Deve ser claro para os legionários que cada um, oficial ou não, tem a sua cota a dar para o sucesso do Praesidium: é um compromisso com Nossa Senhora. E Ela, a Rainha do céu, a mais agradecida das criaturas nos dá em abundância até as pequenas coisas da vida. Provam o fato, as linhas a seguir.

“Nada há mais belo na Legião do que a reza comunitária da Catena.

Quer o Praesidium se encontre cheio de júbilo ou mergulhado na tristeza,

quer ande penosamente pelos caminhos estreitos do dia-a-dia,

a Catena vem como brisa do céu,

cheia dos perfumes daquela que é a Rosa e o Lírio dos Vales,

trazer a todos, maravilhosamente, o frescor e a alegria.

Isto não é apenas uma descrição graciosa, mas uma realidade que dá para sentir –

como muito bem sabem todos os legionários.”

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 “EU SOU TODO VOSSO, Ó MINHA RAINHA...”

 By Regia Brasília

 Renovamos, todos os anos, a consagração a Nossa Senhora. A Acies, festa principal da Legião, realiza-se nas proximidades da Anunciação, 25 de março.

 Sem dúvida, a Legião é de Maria. A união à Virgem Santíssima é o elemento primordial da associação. Lê-se, em negrito, no Manual, que “cada Legionário terá, para com Maria, uma profunda devoção, incessantemente renovada por sérias meditações e zelosas práticas. Deve considerar esta devoção como um dos deveres legionários essenciais, e, de todos, o mais importante.” 25

 Não bastou determinar “...uma profunda devoção”, detalhou: “incessantemente renovada, por sérias meditações e zelosas práticas.” Há melhor prática do que a recitação freqüente do “Eu sou todo vosso, ó minha Rainha...”? Afinal, a fórmula sintetiza o Compromisso Legionário, que, por sua vez, resume o Manual, a Legião e tudo que devemos viver. De modo que recitando-a estamos não só recordando a Acies, rememorando nosso Compromisso, renovando nossa devoção, mas, principalmente, unido-nos a Maria Santíssima.

 Diz o Manual: “Comecemos, para isso, por nos consagrar fervorosamente a Maria; renovemos freqüentemente esta consagração por meio de uma fórmula breve que a resuma, tal como: “Eu sou todo vosso, ó minha Rainha e minha Mãe, e tudo quanto tenho vos pertence.” Que a alma ponha em prática, de maneira tão viva como contínua, o pensamento da influência constante de Maria na sua vida, que dela se possa dizer: “Assim como o corpo respira o ar, assim a alma respira Maria.” (S. Luís Maria de Montfort). 26

 O Manual, sempre concreto, traz o seguinte. “É para desejar que renovemos diariamente a consagração, lançando mão de uma fórmula breve como esta: “Eu sou todo Vosso, amorosíssimo Jesus, e tudo quanto tenho Vos ofereço, por Maria, Vossa Santíssima Mãe”. Esta fórmula substitui também o oferecimento matinal do Apostolado da Oração. Pode usar-se também outra fórmula muito querida da Legião: “Eu sou todo vosso, ó minha Rainha....”

 E continua: “Viver habitualmente e sempre – e isto constitui a essência da devoção – em completa dependência da vontade de Maria, a exemplo do Filho de Deus, em Nazaré, fazendo todas as ações por ela, com ela, nela e para ela, de forma a considerá-la atuando sempre conosco, dirigindo os nossos esforços e repartindo os seus frutos.” 339

 A fórmula aparece mais vezes. Por exemplo, onde descreve a cerimônia da Acies, página 171 e seguinte. “A fórmula da consagração: “Eu sou todo vosso, etc.” não deverá ser pronunciada mecânica e irrefletidamente. Cada um deverá concentrar nela o mais perfeito grau de entendimento e de gratidão. Para conseguirem isto mais facilmente, convém  estudar a “Síntese Mariana” que consta do Apêndice 11.”

 Notável e não por acaso, o Apêndice 11, último texto, termina o Manual no ápice: “Nós somos todos vossos, ó Rainha e Mãe nossa, e tudo quanto temos vos pertence.” 351 Tal proclamação contém nosso programa, nosso ideal, nos define: Legião de Maria!

 Depois de tudo dito convém notar que se vê, às vezes, na Acies, legionários, Ativos ou Auxiliares, com uns papeizinhos da fórmula de consagração ou um cartão, providenciado junto ao Vexillum, para que a possam pronunciar inteira e perfeitamente.

 O fato destoa a devoção, destoa a solenidade. Evidente que a fórmula, de tão freqüente, já se possui de cor...! Mas não, os papeizinhos demonstram não ser assim. De tudo que se leu atrás fica claro: é essencial que a recitemos, com freqüência, diariamente.

 Resta aos Conselhos a atitude de recomendar a Oficiais e Praesidia obter que todos os legionários venham a recitá-la até várias vezes ao dia e a saibam de coração. Nunca mais, portanto, os tais dizeres apareçam como coisa não sabida numa Acies...

 No Praesidium promovamos o hábito de recitá-la. Façamos a campanha anual, a partir de janeiro, visando os recrutados e Auxiliares, e chegarmos à Anunciação, com a fórmula enraizada na alma.

 Frank Duff sempre enfatizou a necessidade da união a Nossa Senhora. É o que mais se lê no Manual. Sejamos, sim, legionários, e acima de tudo, de Maria! Que se caminhe para                                  “...a alma respira Maria.”

 A Legião funda-se na devoção ensinada por S. Luís Maria de Montfort, recomendada com ênfase, ensinada, podemos dizer, a cada página do Manual. Há pouco tivemos o Papa que se dignou honrar-se com o Totus tuus no brasão pontifício. No mínimo, uma exortação a fazermos o mesmo. Não seguimos moda, o Espírito Santo inspira tudo isso.

 

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A PÁGINA MAIS IMPORTANTE DO MANUAL

By Regia Brasília

 O Manual, uma das preciosidades da Legião, é livro dos mais significativos na Igreja do século XX. Qual a sua página mais importante? Concordarão, sem dúvida, que o Compromisso Legionário por ser o texto da consagração, por ser o texto que sobretudo nos define, por trazer a essência da Legião, tem essa maior importância.

Foi decidido que o ingresso oficial na Legião fosse solenizado com uma cerimônia onde o candidato pronuncia esta declaração de dedicação, princípios, disciplina e militância. Inserido no Manual, página 89, são cinco parágrafos de rico conteúdo religioso. Aí está toda a alma da Legião. É programa, compromisso e consagração. Sendo assim uma espécie de resumo da Legião, do Manual, da vida legionária.

Na 3ª edição do Teologia do Apostolado da Legião de Maria há uma nota muito interessante. Ei-la. “Sabe-se que foi solicitado a alguns sacerdotes e Frank Duff para redigirem, cada um, o rascunho do Compromisso Legionário. Na reunião para decidir, sendo Frank o único leigo, foi-lhe dada a primeira palavra. Então, entendendo que propunha o Compromisso explícita e diretamente dirigido ao Espírito Santo, todos retiraram o próprio rascunho – haviam concebido uma simples consagração apenas a Maria Santíssima...”

O significativo valor do texto despertou o interesse de Mons. Suenens que lhe dedicou, em 1950, um grande comentário, publicado com o título acima citado. O livro foi destacado no próprio Manual, na página 80, com as seguintes palavras: “Obra que devia estar nas mãos de todos os legionários.” Em boa hora, a 3ª edição, atendeu a este voto, pois estava esgotada há décadas. Encontra-se disponível nos Conselhos ou na Regia de Brasília.

“Fiz o seu comentário por duas vezes, antes e depois do Concílio”, diz o autor. Acrescenta: “Antes do Concílio publiquei-o sob o título Teologia do Apostolado da Legião de Maria. Após o Concílio republiquei-o sob o título A Promessa Legionária (1982). In Frank Duff, precursor e pioneiro da nova evangelização, página 67, Senatus de Lisboa.

Há também outro comentário: Cual um ejército... escrito pelo Padre Delfin Castañon, em parte disponível no Site www.legiondemaria.org

Seja como for, o Compromisso merece muitos outros estudos. Que legionários escrevam suas reflexões pessoais sobre esta página, de certa forma inesgotável...

Portugal imprimiu um cartão com o texto para uso na cerimônia de filiação. Assim também a Regia de Brasília imprimiu uma Cópia do Compromisso para ser assinada e guardada como lembrança da cerimônia.

Nota-se nos legionários e Praesidia um receio, uma inibição relativa ao Compromisso. Porque é solene, incisivo, declaratório? Ou por causa da norma: “não é permitido o seu uso como fórmula na Acies.” Não aconteça assim; que circule entre nós página tão fundamental. Seja assunto de Allocutio, como estudo do Manual, na piedade individual, na meditação, leitura espiritual, nos Congressos...

Afonso Lambe, em carta à mãe, fez notar a frase do Compromisso, que mandou imprimir no seu papel, que lá figurava como lema. Em certa época, disse, passou a rezar o Compromisso na sua ação de graças após a comunhão diária. Prática digna de imitação. Dele disseram ser “um Manual vivo”; mas destacou especialmente o Compromisso.

A vida espiritual do legionário só tem a ganhar se inspirada no Compromisso. Dele podem ser tiradas inúmeras frases, para nos alentar durante o dia e ao fazer o trabalho semanal. “Maria é a Mãe da minha alma.” “Apresento-me diante de Vós [Espírito Santo] como soldado e filho de Maria.” “Que eu seja puro nAquela que fizestes Imaculada.” “Tomo lugar nas fileiras da Legião e ouso prometer um serviço fiel.” “Que o Vosso poder me cubra e comunique à minha alma o Vosso fogo e o Vosso amor”, etc. Enfim, seja o Compromisso principalmente vivido e não somente o texto para declamar quando do nosso registro como Ativo. Importa que vivamos sob sua influência. Que os Oficiais, periodicamente, lembrem os legionários esta prática formativa e santificante.

A respeito da gloriosa história dos legionários chineses um Papa referiu exatamente que o Compromisso Legionário os fortificou. Nos idos de 1950 não eram muitos os Manuais disponíveis na China. Viviam, então, sobretudo do Compromisso. Vivemos dias maus e não estamos longe de várias formas de martírio, façamos como eles: que o denso conteúdo nos sustente. 

Frank Duff sempre aconselhava que ao referir-se a problemas cada qual juntasse alguma sugestão. Penso ser útil e válido organizar-se um concurso, focalizando o Compromisso. Um concurso de redações de legionários, Praesidia ou Conselhos para escrever, por volta de 50 páginas. Título: O Manual explica o Compromisso Legionário. O prêmio seria a publicação dos melhores textos, na Revista ou em separado, e no Site legionário. Além do bem que é meditar o Compromisso, há o lucro de revitalizar o estudo do Manual e obter matéria para a Revista. Ainda assim, ninguém espere um concurso; comece uma redação como for capaz e chame outros do Praesidium ou Conselho para redação conjunta. Mais ainda, faça uso regular do Compromisso na vida espiritual. Concordamos todos que isso é muito formativo e santificante, não é verdade? Então, mãos à obra!

By Regiabrasilia@legiomariae.com

Texto reservado

O Compromisso necessita um retoque.

Ali no 3º parágrafo, onde o candidato deve pôr a mão no Vexillum Legionis e prosseguir a recitação, o Compromisso diz: “Por isso, empunho o estandarte da Legião que simboliza...”

Há conveniência e mesmo necessidade de corrigir para:

                                                  “Por isso, empunho o Vexillum Legionis que simboliza...”

Razão. O nome do objeto é Vexillum Legionis. A Legião exige nos seus estatutos o uso da terminologia latina e apresenta as seguintes razões: universalidade, usual e costume, não privar das próprias tradições.” (Ver página tal do Manual)

Seria o caso de estudar a questão entre nós e ganhar a opinião do Brasil legionário e pedir mudança, isto é, pedir a prática segundo os estatutos para mais ampla universalidade da Legião que é o objetivo dos nomes latinos desde o início.

Isto é texto reservado mas está aqui para que há coisas a aprofundar na Legião e acentuar nossas tradições. Não ocorra que se desleixe nosso latim como no Manual brasileiro que não traz  Exploratio Dominicalis, e em seu lugar Jornada Apostólica. Não assim em Portugal e Espanha e no Manual inglês! Incola Mariae, idem; Peregrinatio pro Christo, idem.

É a lição do 2º parágrafo do Compromisso. Vale reproduzi-lo.

“Espírito Santíssimo...

Reconheço que tendo Vós vindo regenerar o mundo em Jesus Cristo,

Só por Maria o quisestes fazer;

Que sem Ela não podemos conhecer-Vos nem amar-Vos,

Que é  por Ela que os Vossos dons, virtudes e graças  são distribuídos a quem lhe apraz, quando lhe apraz, e na medida e maneira que lhe apraz.”

[[  novo artigo  A ‘DIFICULDADE’ DO COMPROMISSO LEGIONÁRIO ou

‘Porque o Compromisso se dirige ao Espírito Santo?’

 destacar  o porque do Espírito Santo no Compromisso e na Legião

que vem de São Luís Maria de Montfort

como também do próprio Credo: ...concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria...

ou no Credo Niceno: ...desceu dos céus e se encarnou, pelo Espírito Santo, no seio de Virgem Maria, e se fez homem.

Neste artigo citar ‘a dificuldade’ de Frank Duff no Autobiografia.

Como citar no Artigo anterior o que é a Promessa. Dividir a seguinte citação:

 Al Norrell: Com certeza! Poderia dizer-nos como é que apareceu a Promessa Legionária?

 Frank Duff: Sim. Por estranho que pareça, a Promessa Legionária está associada com o Pentecostes. Sugerira-se, muitas vezes, que devia haver uma promessa legionária. É fácil de dizer, concretizar a idéia é coisa muito diferente. Qual a sua natureza? Uma simples promessa podia ser um gesto inteiramente vazio de sentido. Poderíamos ter uma fórmula que seria uma promessa e nada mais. Ao passo que temos de sugerir, duma forma ou outra, todo o projeto da Legião. Temos de levar o membro a manifestar certa compreensão do que a Legião realmente é, e isso em circunstâncias de grande solenidade. E dar então mais um passo – recusar o ingresso na organização a alguém que levante dificuldades acerca da Promessa. Esta declaração, evidentemente, é como outros elementos materiais da Legião, os quais são a Tessera e o Vexillum. Na sua estrutura, devem espelhar todo o sistema espiritual da Legião. Em todas estas coisas, o Espírito Santo domina o quadro: no conjunto das orações, na Tessera que é uma pintura artística, e no Vexillum. Ora isto tem de ser retratado.

 Foi num Domingo de Pentecostes – hesito em mencionar o ano, porque não me recordo exatamente – que, no mosteiro do Monte Melleray se me apresentou a idéia duma forma pormenorizada. Emergiu no meu espírito a conclusão eletrizante de que a Promessa devia dirigir-se ao Espírito Santo e não a Nossa Senhora. Eletrizante, porque, até então, embora as orações começassem com a invocação ao Espírito Santo e embora o Espírito Santo encimasse os objetos artísticos, Nossa Senhora era ainda a pessoa dominante. Toda a gente pensava primeiro em Nossa Senhora e secundariamente no Espírito Santo. Foi aqui que surgiu uma idéia revolucionária: “temos de pôr em primeiro lugar aquilo que de fato ocupa o primeiro lugar”. E a Promessa foi então escrita com a forma que atualmente possui.

Em meu entender, este foi um momento importante na história da Legião. Um momento de compreensão, aquele em que a Legião pela primeira vez teve realmente um vislumbre de si mesma, como Legião do Espírito Santo. Não cortava, digamos, com o seu dever de vassalagem. Não rejeitava Nossa Senhora em favor de algo maior. Não. Conhecia Maria com mais clareza, e desta compreensão emergia um extraordinário conhecimento do Espírito Santo – do que o Espírito Santo era em Maria. Assim nasceu a Promessa.

Hoje em dia levar a Legião a adotar certas coisas é um processo muito difícil. Presentemente, não sugerirei tão cedo qualquer coisa dentro da Legião, porque os seus membros são um pouco mais independentes, mais inteligentes, mais exigentes do que costumavam ser. Os padrões agora são realmente mais elevados. Existe uma atitude contestatária. O Sr. recorda-se das propostas sobre o Terço do Rosário apresentadas nos Estados Unidos?

Al Norrell: Recordo.

Frank Duff: Foi há alguns anos atrás. Aqui estávamos vivamente convencidos da razão. Havia unanimidade acerca das propostas e no entanto os Estados Unidos recusaram-nas.

Al Norrell: Lembro-me muito bem.

Frank Duff: De acordo com o Concílio, quisemos também mudar a oração inicial ao Espírito Santo: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”. Parecia-nos extremamente incolor e quisemos substituí-la pela versão da nova oração do Domingo de Pentecostes. Mais uma vez, os Estados Unidos da América tomaram a chefia da rejeição da proposta. Estas são as tais coisas, a que o Sr. se referia: “Será que a Legião o desiludiu alguma vez?” Em coisas desta natureza, certamente.

Al Norrell: Houve, pois, coisas que o desiludiram.

Frank Duff: Sim. Não que me reconciliasse com a idéia de que a questão estava definitivamente encerrada, mas de fato assim pareceu. Em todo o caso, quando a questão de a Promessa ser dirigida ao Espírito Santo foi apresentada ao Concilium, foi de imediato e unanimemente aprovada, o que constitui um maravilhoso acontecimento.

Levou dois anos, envolvendo doze ou treze debates, a acrescentar S. João Batista à lista dos padroeiros, pois havia uma nítida oposição de 30%. Não que dizer que houvesse qualquer oposição radical a S. João Batista ou discordassem do que presentemente lhe é atribuído. Custava-lhes mexer com o sistema. Diziam: “Nesse caso, vão apresentar-nos todos os santos do mundo, todos os santos da terra, para os incluirmos na Legião”. Evidentemente, tal é possível. E foi deste ponto de vista que a oposição se apresentou e levou dois anos a eliminar.

Assim surgiu a Promessa e foi extraordinariamente legitimada. Aqui e ali, alguns membros hesitam. Algumas expressões sobre o papel desempenhado por Nossa Senhora, em relação ao Espírito Santo, pareceram sugerir que Ela desfruta do poder completo sobre o mesmo Espírito, e isso é demais para alguns irmãos (Risos...).

Al Norrell: Que é que eles dizem?

Frank Duff: Dizem: “Não posso aceitar isso!” Os regulamentos prevêem um período para pensar. Se, depois dele, uma tal pessoa se mostra renitente, não pode ser recebida na Legião. Até agora, esta regra tem sido rigorosamente observada.

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